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ENTREVISTA - R7 PDF Imprimir E-mail
Escrito por Ray Castello   
Ter, 01 de Agosto de 2017 19:12

 

Fundador do Patrulha do Espaço relança disco histórico e relembra show com o Van Halen

 

Rolando Castello Junior está comemorando 50 anos de carreira

Daniel Vaughan,do R701/08/2017 - 00h03 (Atualizado em 01/08/2017 - 12h07

 

Rolando Castello Junior: 50 anos de carreira

Rolando Castello Junior: 50 anos de carreira

Divulgação/Patrícia Soransso

 

Rolando Castello Junior é um dos heróis do rock brasileiro.


Junior já tocou com o Made in Brazil, Inox, o grupo argentino Aeroblus (do lendário guitarrista Pappo Blues) e está envolvido no recente projeto CaSch.


Já a Patrulha do Espaço é a principal ocupação do baterista. Ele ajudou a fundar a banda no final dos anos 70, ao lado do eterno mutante Arnaldo Baptista. Depois, a Patrulha seguiu solo e este ano está comemorando quatro décadas de estrada.


No momento, o músico está empenhado em lançar um CD/DVD do show gravado em comemoração aos seus 50 anos de carreira. Junior apostou em uma campanha de financiamento coletivo para lançar o registro (www.catarse.me/rolando50).


Outra novidade é o relançamento do terceiro disco da Patrulha. Além do álbum ter feito muito sucesso na época, o grupo foi convidado para abrir os show dos americanos do Van Halen, em 1983.


O R7 conversou com o baterista para relembrar sua brilhante carreira e saber mais sobre o futuro.


R7 — Como surgiu a ideia de fazer essa reedição do CD de 1982?

Junior — Na verdade, a ideia foi da Baratos Afins. O Luiz Calanca me propos de lançarmos os CDs nesse formato individual, pois eles já haviam saído anteriormente no formato de dois vinis em um CD na coleção Dossiês. A meu pedido e contrariando a ordem natural dos lançamentos, colocamos primeiramente o Patrulha 4 e agora fizemos o 3.

 

Patrulha do Espaço na época de Arnaldo Baptista

Patrulha do Espaço na época de Arnaldo Baptista

 

R7 — O que a reedição traz de bônus?

Junior — O disco foi remasterizado pelo Paulo Torres e o Luiz Calanca. Os bônus são canções ao vivo, relativas o repertório deste disco, de um show que fizemos no TUCA, em 1983, e Columbia orquestrada via computador, em Nova York, pelo arranjador Marinho Nobre.



R7 — Quais são as lembranças da gravação desse disco?

Junior — Gravavamos os discos muito rapidamente, uma média de 30 horas por disco. O que mais recordo dessas gravações era o clima de tranquilidade em que gravamos. Um lugar relativamente pequeno, mas muito bem equipado e moderno. Quando terminamos a gravação, fomos brindar com o Tico Terpins (conhecido pelo grupo Joelho de Porco), um dos donos do estúdio, em seu escritório com um copinho desses longos de cristal, com uma vodka Stolichnaya bem gelada.


R7 — Quais foram as principais mudanças no som da banda nesse terceiro trabalho?

Junior — Na verdade, acho que foi a sonoridade do estúdio que mudou o som da banda e não a banda em si. Como falei anteriormente, era um estúdio muito bem equipado e os técnicos eram uma galera ligada ao rock, como o Micka e o Ivo Barreto.


R7 — Você não pensa em reeditar o material da Patrulha em vinil?

Junior — Sim, penso muito nisso, mas no Brasil hoje em dia isso está difícil. Existe um monopólio na fabricação do vinil, custa muito caro fazê-lo, demora demais e a própia fábrica de vinil te faz concorrência.


R7 — Essa foi a turnê que acabou gerando as aberturas para o Van Halen em São Paulo, em 1983. Quais são as lembranças dessas noites?

Junior — Apesar de todo o suposto glamour de abrir o Van Halen, na verdade, para nós foi um show a mais. Claro que a ocasião era especial, mas não houve aquele frisson no backstage, nem festas ou algo parecido... fomos lá, ficamos em nosso camarim e saímos para tocar e tchau. Tocar em um ginásio cheio e sermos ovacionados é legal pacas, mas já vinhamos realizando shows em ginásios lotados no interior de São Paulo por aquela época, ademais a estreia da Patrulha foi no mesmíssimo Ibirapuera. Dos shows com o Van Halen, o mais legal mesmo foi o extremo profissionalismo dos gringos para conosco e poder observar como funcionava uma banda grande de fora na estrada.

 

O terceiro disco foi lançado, em 82, pela Baratos Afins

 

R7 — Parece que o Van Halen curtiu o Patrulha...

Junior — Quem viu os três shows da mesa de monitor foi o Eddie Van Halen (guitarrista). Nós não queríamos incomodar e dar uma de tietes... Assim que ficamos na nossa e, em dado momento, o Eddie foi em nosso camarim conversar com a gente e expressar que gostou da banda e de mim. Um dado hilário é que ele pegou a guitarra Stratocaster do Dudu e comentou que ela trastejava menos que a dele.


R7 — Quais são os próximos projetos da Patrulha?

Junior — Comemoramos 40 anos este ano, mas não tenho exatamente uma programação especial em relação a isso. Dia 17 de setembro é a data de nosso primeiro show, justamente no Ginásio do Ibirapuera... Faremos um espetáculo especial para nós e convidados locais, no Célula, em Florianópolis. Cada vez menos venho tocando com a Patrulha e a tendência infelizmente é essa. Por aqui, o mercado está muito medíocre, injusto e sacana... sequer fomos lembrados nessas programações de rock da Secretaria de Cultura do Município de São Paulo, e pra ficar disputando os poucos espaços, SESCs e festivais com outras bandas, não é bem minha ideia de fazer rock. Assim, cada vez mais tocamos menos e foco mais e mais em minha carreira na Argentina. Fora isso, estamos na fase final do financiamento coletivo do CD e DVD gravados ao vivo em São Paulo, Curitiba e Buenos Aires. Foram as comemorações aos meus 50 anos de bateria e rock, com excelentes músicos convidados dessas cidades e tocando canções da Patrulha, Aeroblus, Inox e CaSch. Aproveito e peço a todos que queiram e possam apoiar esse projeto, que o façam até o dia 5 de agosto quando se encerra o projeto (www.catarse.me/rolando50). Muito obrigado por mais esta oportunidade de me comunicar por aqui com a galera que curte meu trampo.

 

 


Rolando Castello Junior: 50 anos de carreira
Divulgação/Patrícia Soranss