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Discografia


1970/1973 - Parada Suprimida, Tarantula e Three Souls In My Mind PDF Imprimir E-mail
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México

Os anos mexicanos, uma estranha realidade

 

Parada Suprimida

“Parafraseando um escritor e must literário de minha geração, el señor Carlos Castañeda, minha mudança de vida ao ir morar no México, em dezembro de 1969, foi uma mudança tão radical que foi bem isso: um encontro com uma estranha realidade, a começar pelos discos disponíveis nas lojas e os instrumentos que podiam ser comprados: Ludwig, Gretsch, Rogers, Vox, Premier Slingerland, Yamaha, Star, pratos Zildjian, Paiste, Instambul.

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Tocando os tambores e pratos no México. Foto: Acervo

Foi meu maior aprendizado, até aquele momento, em termos de técnicas de tocar bateria, ver e ouvir um monte de bateristas bons, poder ter e soar um bom instrumento e, acima de tudo, interagir com um monte de músicos bons numa base quase que diária, tocando, escutando, vendo e convivendo. Devo muito do que cheguei a ser como baterista a esses anos, vivendo essa estranha realidade.

Na cidade do México fui estudar desenho e na escola fiz amizade com um colega que me indicou para uma banda,que vinha com uma boa reputação de uma cidade do interior chamada Jalapa e que agora tentava a sorte na cidade do México.

O nome da banda era La Parada Suprimida, liderada pelo organista conhecido como Pingo, nessa época ainda não existia e figura do tecladista, as músicas eram covers de Vanilla Fudge, Santana, Eletric Flag e Deep Purple e bastante jams em cima de levadas de batera com o órgão.

A banda estava estabelecida em um condomínio vertical gigantesco chamado Tlatelolco ao norte da cidade do México.

Recordo-me que com essa banda ensaiávamos pouco porque a galera morava nos prédios, mas tocávamos direto em festas pela cidade, escolas secundárias, universidades e nos salões sociais das diferentes unidades de Tlatelolco, nas famosas Tardeadas.
Foi minha primeira experiência profissional, a primeira vez que ganhei dinheiro fazendo algo que para mim era um prazer, um caso de amor, minha vida, tocar a bateria.
Eu tinha uns 17 anos, então levando em consideração que a carreira profissional de um artista comece com seu primeiro cachê, seria correto dizer que ali começou a minha, em meados de 1970.

Com a grana que ganhei nessa banda comprei minha primeira bateria boa, uma Gretsch.”

 

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O organista Pingo y el baterista Rolando. Parada Suprimida, México 1970,
Foto tirada depois de uma tardeada em Tlatelolco. Foto: Acervo

 

Tarantula

“Posteriormente, fui tocar num trio que, sinceramente, não lembro o nome, o guitarrista Fernando Mercado havia tocado em uma banda de relativo sucesso comercial chamada Los Antorchas, eu na bateria e Manolo Fernandez no baixo e vocal, foi meu primeiro trio, ensaiávamos material próprio em um prédio de cinco andares que estava vazio e era da família Mercado. Ensaiávamos quase todos os dias, a diferença do que era com La Parada Suprimida, com essa formação tocamos uma dezena de vezes, unicamente na cidade de Toluca e uma incursão a cidade de Veracruz, tocávamos em festas, bares, salões de clubes, centros comunitários e até galpões de haciendas.

Com a saída do guitarrista Fernando Mercado e sua substituição pelo chicano Alex Hunt, finalmente batizamos o trio com o nome de Tarantula, em referência a um livro de Bob Dylan.”

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1972, Tarântula en acción, da esquerda para direita:

Manolo Fernandez, Rolando Castello Junior e Alex Hunt. Foto: Acervo.

 

Three Souls in my Mind

“Desde que cheguei no México, havia feito amizade e me tornado fã do som e atitude rocker da galera do Three Souls in my Mind, com seu rock duro, pesado, quadrado e com letras contundentes.

Logo no começo de nossa amizade descobri que eu e Lora éramos praticamente vizinhos, daí a convivência diária com ele e com a banda, eu era fã dos caras e estava ali como amigo e podendo ir e curtir os ensaios diários e as inumeráveis apresentações deles em tudo que era lugar, por toda a enorme cidade do México, ali aprendi o significado e o feeling do que é estar na estrada com uma verdadeira banda de rock.

Os caras tinham um super equipamento, transporte, roadies, fãs, groupies e toda a loucura inerente ao cargo e eu ia de carona em quase todas as aventuras.

Do resultado de nossa profunda amizade e cumplicidade, quando por uma cagada do destino e do trânsito caótico da ‘ciudad’ de México, Carlos, o batera, teve um acidente de moto, fui chamado para substituí-lo, nesse momento, tive a oportunidade de tocar em alguns shows bem grandes, com outras grandes bandas da época, pois o El Tri, naquele momento, já era uma grande banda.”

 

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Quando tive o privilegio de tocar com o Three
o material que tocavamos nos shows eram, na sua maioria
canções deste segundo disco da banda. Foto: Acervo.

 

Baterias usadas no México

kit_mostroFoto: Acervo

Minha primeira bateria boa foi uma Gretsch revestida com o acabamento Satin Flame, com 1 bumbo de 20”, 1 tom de 12”x8”, surdo de 16”x 16” e minha primeira caixa de metal de 14”x 5 e meio, com o detalhe da caixa ter um buraco que era um porta chave de afinação.

Meus primeiros pratos “turcos” foi um jogo da Paiste, Giant Beat com chimbal de 13” ride de 20” e crash de 18”. Posteriormente, comprei um tom Ludwig de 13”x9”, em Tucson no Arizona.

E na cidade do México, correndo atrás de coisas usadas e baratas, consegui comprar 1 bumbo Ludwig 20”x14”, que era muito antigo, com uma canoa para cada dois parafusos de afinação e não era revestido, era originalmente pintado em degradê preto nas extremidades e azul no meio. Também consegui um surdo Ludwig de 14” x 14”, na cor Golden Sparkle. Todos esses tambores de cores diferentes e em seu acabamento original, foram “assassinados” por mim, quando os revesti todos da mesma cor Black Oyster.

Também adquiri um jogo de Timbales de 13” e 14”, ferragens Rogers e pratos Zildjian, assim como um cowbell, toda a bateria era acondicionada em cases, Hummes e Berg e Ludwig.

 

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Aqui uma montagem diferente que as vezes eu usava
com os timbales montados no bumbo. Foto: Acervo

 

Esses foram meus kits no México, mas enquanto ainda não tinha dinheiro para meu próprio instrumento, toquei numa infinidade de baterias alugadas ou emprestadas das marcas Slingerland, Sonor, Kawai, Yamaha, Rogers, Ludwigs, de várias medidas, cores e idades, muitas dos anos 60 e outras já dos 70. Também cheguei a usar em uma ocasião uma bateria mexicana chamada La Voz.


1974/1975 - Aço e Made in Brazil